A instrumentação industrial contemporânea exige níveis de precisão, estabilidade e confiabilidade que transcendem a simples captura de sinais analógicos. No vasto campo da automação de processos, a medição de nível em tanques e reservatórios destaca-se como uma das aplicações mais críticas, impactando diretamente a segurança operacional, o controle de inventário e a eficiência produtiva de plantas químicas, petroquímicas, alimentícias e de saneamento. Dentre as diversas tecnologias disponíveis, a medição por pressão hidrostática consolidou-se como o método mais versátil e amplamente utilizado, fundamentando-se em princípios físicos robustos e na evolução eletrônica de dispositivos inteligentes. Neste contexto, a Smar desempenha um papel pioneiro, especialmente através do desenvolvimento de sensores capacitivos que eliminam a necessidade de conversão analógico-digital (A/D) interna, proporcionando uma leitura digital direta e livre de derivas térmicas convencionais.
A medição de nível baseada na pressão hidrostática fundamenta-se na Lei de Pascal e no princípio de Stevin, que estabelece que a pressão exercida por uma coluna de líquido em repouso é diretamente proporcional à altura da coluna, à densidade do fluido e à aceleração da gravidade local. A relação matemática fundamental que rege este fenômeno é expressa pela equação clássica da hidrostática:
Nesta equação, P representa a pressão hidrostática detectada no ponto de medição, ρ (rô) é a densidade ou massa específica do fluido de processo, g é a aceleração da gravidade e h é a altura vertical da coluna de líquido acima do sensor. Para fins de instrumentação prática e calibração de dispositivos em campo, a indústria frequentemente adota unidades de milímetros de coluna de água (mmH2O), simplificando a conversão direta entre altura física e pressão medida:
Esta simplificação assume que a densidade da água a 4°C é exatamente 1,000 g/cm3. No entanto, em aplicações reais, a exatidão da medição de nível depende intrinsecamente da constância da densidade do fluido. Variações significativas na temperatura do processo podem alterar a densidade, introduzindo erros que devem ser compensados pelo sistema de controle ou através de algoritmos internos do transmissor, como os encontrados nas séries LD300 e LD400 da Smar.
A Arquitetura do Sensor Capacitivo Smar
O diferencial tecnológico que posiciona a Smar como líder em medição de pressão e nível reside na arquitetura de seu sensor capacitivo. Desenvolvido e aprimorado desde a década de 80, este sensor baseia-se em uma célula de capacitância diferencial onde um diafragma central sensor se desloca entre duas superfícies metalizadas fixas, isoladas por um material cerâmico ou vidro. Diferente dos sensores piezo resistivos tradicionais, que dependem da variação da resistência elétrica de um material sob deformação, o sensor da Smar utiliza a deflexão mínima do diafragma para alterar a capacitância de um circuito oscilador.
A variação da capacitância é convertida diretamente em uma variação de frequência. Como a frequência é uma grandeza digital por natureza, ela pode ser processada diretamente pela CPU do transmissor sem a necessidade de conversores A/D. Esta característica é vital para a eliminação de erros de quantização e derivas (drifts) térmicos associados aos componentes analógicos de conversão. O sinal permanece digital desde o estágio de captura no sensor até a saída de comunicação (HART, Foundation Fieldbus ou Profibus PA), garantindo uma estabilidade de longo prazo excepcional, com garantias de até 12 anos em modelos de alta performance.
A tabela abaixo detalha as principais características de performance comparativas entre as séries LD300 e LD400, evidenciando a evolução da tecnologia Smar em direção a aplicações de alta exigência e segurança funcional.
Especificação Técnica | Série LD300 (LD301/302/303) | Série LD400 (HART/WirelessHART) |
Exatidão (Standard) | ± 0,075% de span | ± 0,045% de span |
Exatidão (High Performance) | ± 0,04% de span | ± 0,04% de span |
Estabilidade | ± 0,15% do URL por 12 anos | ± 0,2% do URL por 12 anos |
Rangeabilidade | 120:1 | 200:1 |
Tempo de Resposta | ~100 ms | 35 ms |
Protocolos Suportados | HART, FF, Profibus PA | HART 7, WirelessHART, SIS |
Segurança Funcional | - | Certificação SIL 1, 2 e 3 |
A aplicação de transmissores de pressão para a medição de nível exige uma análise detalhada da geometria do reservatório. Os tanques são classificados primariamente em lineares e não lineares, classificação esta que determina a necessidade de funções de transferência complexas para o cálculo do volume ou massa.
Tanques Lineares - Simplicidade e Proporcionalidade
Tanques lineares são aqueles cuja seção transversal permanece constante ao longo de toda a altura utilizável. Exemplos típicos incluem cilindros verticais, silos retangulares e quadrados. Nestas configurações, o nível do fluido é diretamente proporcional ao volume armazenado. A configuração do transmissor Smar nestes casos é simplificada, onde o Lower Range Value (LRV) é associado ao nível 0% e o Upper Range Value (URV) ao nível 100% de pressão hidrostática correspondente à altura máxima do tanque.
Tanques Não Lineares - A Necessidade de Tabelas de Arqueação
Em tanques onde a seção transversal varia conforme a altura — como tanques cilíndricos horizontais, esféricos, cônicos ou com fundos abaulados — a relação entre a altura (nível linear) e o volume (nível volumétrico) não é constante. Embora o transmissor de pressão meça a altura corretamente, o volume resultante requer uma conversão matemática.
A Smar aborda este desafio através da implementação de uma "Tabela de Linearização" ou "Tabela de Pontos" de 16 pontos, configurável livremente pelo usuário. Esta tabela permite inserir pares de valores X-Y, onde X representa o nível linear (pressão ou porcentagem de altura) e Y representa o volume correspondente.
Exemplo Prático - Tanque Cilíndrico Horizontal
Um dos casos mais complexos na indústria é o do tanque cilíndrico horizontal. Considere um reservatório com 2m de diâmetro e 10m de comprimento. O volume total do tanque é de aproximadamente 31,42m3. No entanto, quando o tanque está com 10% de sua altura preenchida (0,2m), o volume ocupado é de apenas 5,2% do total, devido à base estreita do cilindro. À medida que o nível se aproxima do centro (50% de altura), a taxa de variação volumétrica atinge seu máximo.
Nível Linear (%) | Nível Linear (m) | Volume (m³) | Volume (%) |
0,0 | 0,00 | 0,00 | 0,00 |
10,0 | 0,20 | 1,64 | 5,20 |
20,0 | 0,40 | 4,47 | 14,24 |
30,0 | 0,60 | 7,93 | 25,23 |
40,0 | 0,80 | 11,73 | 37,35 |
50,0 | 1,00 | 15,71 | 50,00 |
60,0 | 1,20 | 19,68 | 62,65 |
70,0 | 1,40 | 23,49 | 74,77 |
80,0 | 1,60 | 26,94 | 85,76 |
90,0 | 1,80 | 29,78 | 94,80 |
100,0 | 2,00 | 31,42 | 100,00 |
Para este cenário, o transmissor Smar LD301 ou LD400 é configurado com a função de transferência "TABLE". O microprocessador realiza a interpolação linear entre os pontos inseridos, garantindo que a saída de 4-20 mA ou o sinal digital reflita o volume real e não apenas a altura da coluna líquida.
A correta instalação do transmissor é fundamental para evitar erros sistemáticos de medição. A principal distinção reside na condição de pressão do tanque: atmosférica ou pressurizada.
Medição em Tanques Atmosféricos
Em tanques abertos para a atmosfera, a pressão acima do líquido é a pressão barométrica local. Para medir o nível, o lado de alta pressão (H) do transmissor diferencial é conectado à base do tanque, enquanto o lado de baixa pressão (L) permanece aberto para a atmosfera. Dessa forma, o efeito da pressão atmosférica atua em ambos os lados do sensor e se anula, resultando em uma leitura líquida da pressão hidrostática.
Um aspecto crítico é a posição do transmissor em relação ao nível zero desejado. Se o instrumento for instalado abaixo do fundo do tanque (devido à acessibilidade para manutenção), a coluna de líquido estática na linha de impulso exercerá uma pressão adicional que deve ser suprimida eletronicamente no transmissor (supressão de zero).
Medição em Tanques Pressurizados
Em vasos de pressão, caldeiras ou tanques com colchão de gás inerte, a pressão interna atua sobre a superfície do líquido e somaria um erro massivo se medida contra a atmosfera. Para compensar esta pressão, o lado de baixa (L) do transmissor deve ser conectado ao topo do reservatório. Existem duas técnicas principais para esta conexão:
Perna Seca (Dry Leg)
A perna seca é aplicada quando o gás ou vapor no topo do tanque não condensa nas temperaturas operacionais ou ambiente. A tubulação permanece preenchida apenas com o gás do processo, transmitindo a pressão estática superior diretamente ao lado L do sensor.
Cálculo de Faixa (Perna Seca):
Perna Molhada (Wet Leg)
A perna molhada é indispensável quando os vapores do topo do tanque tendem a condensar, o que preencheria erroneamente a linha de impulso e causaria erros na medição. Neste método, a linha de referência é deliberadamente preenchida com um líquido estável (geralmente água, glicol ou o próprio fluido de processo condensado). Um pote de condensado no topo garante que o nível desta coluna de referência permaneça constante, drenando o excesso de volta para o tanque.
Como a perna molhada exerce uma pressão constante no lado de baixa (L), a pressão diferencial medida quando o tanque está vazio será negativa, exigindo uma configuração de "elevação de zero" no transmissor Smar.
Onde SGref é a gravidade específica do fluido na perna molhada e x é a altura da perna.
A Smar oferece uma linha completa de instrumentos que atendem desde aplicações básicas até sistemas críticos de segurança.
Transmissor de Nível LD300L
O LD300L é um modelo projetado especificamente para montagem em tanques através de conexão flangeada direta. Esta construção elimina a necessidade de linhas de impulso, reduzindo pontos de vazamento e simplificando a limpeza. Ele está disponível com extensões de diafragma, permitindo que a face sensora seja posicionada rente à parede interna do tanque, evitando o acúmulo de sólidos em processos viscosos.
Série LD400 e Alta Tecnologia HART 7
A série LD400 representa o estado da arte na instrumentação HART da Smar. Com uma exatidão de um processador matemático dedicado, o LD400 oferece funções avançadas de controle diretamente no campo.
Transmissores Sanitários LD300S e LD400S
Para as indústrias farmacêutica e alimentícia, a higiene é o requisito primordial. Os modelos sanitários da Smar utilizam conexões Tri-Clamp e acabamentos superficiais eletropolidos que atendem às normas internacionais 3A. Estes instrumentos suportam processos de limpeza CIP (Clean-in-Place) e esterilização SIP (Sterilization-in-Place), resistindo a altas temperaturas e agentes químicos agressivos sem comprometer a integridade do sensor.
LD400S – Conexão SMS
LD300S – Conexão Tri-Clamp
Muitas vezes, o fluido do processo apresenta características que impedem o contato direto com o diafragma de isolação metálico do transmissor. Para estes cenários, utiliza-se o sistema de selo remoto SR301.
Cenários de Aplicação dos Selos Remotos
Erro Total Provável (ETP) e Influência dos Capilares
A precisão de um sistema com selo remoto é influenciada pelo comprimento do capilar e pelo tipo de fluido de enchimento (Silicone, Halocarbon, Neobee, etc.). A variação da temperatura ambiente causa a expansão ou contração deste fluido, gerando um erro de pressão adicional. A Smar disponibiliza o software "ETP" para que engenheiros de aplicação possam prever e minimizar estes desvios durante a fase de projeto, selecionando o diâmetro de capilar e o fluido de enchimento mais adequados para a amplitude térmica do local de instalação.
A transição da instrumentação analógica para a digital permitiu que a configuração dos instrumentos se tornasse uma tarefa baseada em software e menus interativos.
Ajuste Local com Chave Magnética
Uma inovação clássica da Smar é o ajuste local via chave magnética. Sem a necessidade de abrir as tampas do compartimento eletrônico — o que é crucial em áreas classificadas à prova de explosão — o usuário pode inserir uma pequena ferramenta magnética nos orifícios (Z) para Zero e (S) para Span. Esta interface permite:
Integração com FDT/DTM e AssetView
Para um gerenciamento de ativos moderno, a Smar fornece drivers DTM (Device Type Manager) baseados no padrão FDT. Estes drivers permitem que o transmissor seja visualizado de forma gráfica e completa em qualquer sistema de controle ou PC de manutenção. Através do DTM, é possível acessar o log de erros, verificar as horas de operação e realizar o backup de todas as configurações do instrumento.
O sistema AssetView da Smar leva este conceito para a nuvem ou rede local, permitindo o monitoramento proativo de milhares de instrumentos. Ele analisa tendências de desvio de calibração e identifica falhas iminentes antes que ocorra uma parada não programada no processo, otimizando as rotinas de manutenção preventiva e preditiva.
Além da medição de nível, os transmissores de pressão diferencial da Smar são frequentemente utilizados para medir a densidade de líquidos em tempo real. O transmissor de densidade inteligente (como o DT300) utiliza dois diafragmas separados por uma distância fixa.
Como a distância entre as tomadas de pressão é constante, a pressão diferencial medida é diretamente proporcional à densidade do líquido, independentemente do nível total do tanque (desde que ambos os sensores estejam submersos).
Esta aplicação é vital em processos de fermentação (graus Brix ou Plato), refino de açúcar e indústrias químicas onde a concentração de uma solução deve ser monitorada continuamente para garantir a qualidade do produto final.
A medição de nível em tanques evoluiu de simples réguas e boias mecânicas para sistemas eletrônicos de altíssima complexidade e inteligência. A Smar, com sua tecnologia de sensor capacitivo e leitura digital direta, resolveu desafios históricos de instabilidade e deriva que afetavam os antigos transmissores analógicos.
A flexibilidade das séries LD300 e LD400, aliada à robustez dos selos remotos SR301, permite que praticamente qualquer fluido industrial seja monitorado com precisão milimétrica. A capacidade de realizar cálculos volumétricos em tanques não lineares e atuar como controladores PID locais demonstra que o transmissor moderno não é apenas um sensor, mas um elemento de processamento ativo na malha de controle.
Com o advento da Indústria 4.0 e do WirelessHART, a tendência é que a conectividade desses dispositivos aumente, permitindo que os dados de nível e diagnóstico alimentem algoritmos de inteligência artificial para otimização logística e eficiência energética global das plantas industriais. A Smar continua na vanguarda desta evolução, garantindo que a base física da medição — a pressão hidrostática — seja capturada com a máxima fidelidade digital possível.
SMAR Technology Company. "Artigo Técnico: Transmissor de Pressão com Sensor Capacitivo: Alta Exatidão com Leitura Direta e Totalmente Digital".
SMAR Technology Company. "Medição Contínua de Densidade e Concentração em Processos Industriais - Artigo Técnico".
SMAR Technology Company. "Transmissores de Pressão Séries LD300 e LD400 - Manuais de Instrução e Operação".
Documentação Técnica. "Medições de Nível com Pressão Diferencial - R1".
Automation Forum. "Guia de Cálculos para Perna Seca e Perna Molhada em Transmissores de Pressão Diferencial".
SMAR Technology Company. "Série LD300 e LD400 - Catálogos Técnicos de Transmissores de Pressão e Nível".
SMAR Technology Company. "Selo Remoto SR301 - Manual de Instruções, Operação e Manutenção".
ADRIANO MARCELO CORTEZE
NOVA SMAR S/A
09/MAR/2026
LD300Series - Transmissores de Pressão, Nível e Vazão - SMAR Technology Company
LD400 - Transmissores de Pressão HART - SMAR Technology Company
LD400WH - Transmissores de Pressão, Nível e Vazão WirelessHART™ - SMAR Technology Company
DT300Series - Transmissores de Densidade - Tecnologia - SMAR Technology Company
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